segunda-feira, 1 de julho de 2013
Loki e o construtor do muro
''Durante muitos anos, os deuses viveram junto com os mortais até que, um dia, Odin, o maior dos deuses, teve a ideia de construir Asgard, a sua morada celestial. Era preciso que os deuses tivessem um local só para si, resguardado dos ataques dos seus terriveis inimigos, os gigantes. Nem bem, porém haviam terminado de construir a cidade, depararam-se com um grande problema: é que, na pressa, esqueceram de construir também uma sólida muralha para se proteger de um eventual ataque de seus perfidos inimigos. Odin e Loki estavam conversando sobre o assunto, tendo ao lado outros deuses, como Tyr e Heimdall, quando, de repente, viram passar perto um cavaleiro.
- Uma bela construção a que fizeram! - disse ele, admirando a arquitetura da divina cidade. - Mas onde está o muro que deveria protege-la?
Os deuses, constrangidos, foram obrigados a confessar que haviam esquecido dessa parte.
- Ora, mas isso não é problema! - disse o forasteiro - Sou o mais habil construtor do mundo e posso erguer um belo e fortificado muro, se assim desejarem.
- Um sorriso de satisfação iluminou a barba ruiva de Odin. Loki, também satisfeito, acenou para o homem e lhe disse:
- E quanto tempo levará para termina-lo?
- Em um ano e meio estará perfeito e acabado.
- Muito bem, pode começa-lo imediatamente! - disse Loki aplaudindo o construtor.
- Esperem! - brandou Odin interrompendo tudo - O senhor disse que é o melhor construtor de todo o mundo, não é?
- Sim, honro-me de se-lo!
- E, o que pede para realizar sua tarefa? - quis saber o Deus supremo, já imaginando que o habil construtor não pediria pouco.
- Quero a mão da bela Freya em casamento - disse o outro, confirmando as mais negras provisões do maior dos deuses.
- Ora, desapareça daqui! - disse Tyr, o mais valente dos deuses, brandindo o seu unico punho para o atrevido.
Heimdall, o guardião da ponte Bifrost, que conduzia a Asgard, como não podia falar, protestou tocando sua corneta tão alto no ouvido do estrangeiro, que construtor sofreu um sobressalto e precisou de alguns minutos para recuperar inteiramente a audição. Quanto aos demais deuses, já iam todos dando as costas, incluindo Odin, quando ouviram Loki dizer ao atravido forasteiro:
- Muito bem, se puder construir em 6 meses, o negocio está fechado! Todos os rostos voltaram-se, alarmados, para o imprevidente deus.
- Imporemos apenas a condição de que realize sozinho a sua tarefa e no espaço de um único inverno - disse ainda Loki sem se importar com as censuras que faiscavam no olhar de seus colegas. Para esses, entretanto, disse á boca pequena : - não se preocupem, em seis meses ele não terá construido nem metade do muro, o que o obrigará a nos entrega-lo de graça.
- Trato feito! - disse o construtor, que pareceu muito satisfeito com a proposta. No mesmo instante, desceu do seu cavalo Svadilfair e meteu mãos a obra. Acoplando a um trenó à cauda do cavalo ele começou a empilhar e arrastar enormes pedregulhos pela neve com tanta vontade e determinação, que todos os deuses empalideceram, menos Loki, que olhava para o homem com um sorriso ironico.
- Não se aflija, bela Freya! - disse ele á infeliz deusa, que vertia pelos olhos pequeninas lagrimas douradas - São fanfarronices do primeiro dia; amanhã, ele já estará exausto e jamais conseguirá terminar o muro dentro do prazo estipulado!
Mas, no segundo dia, o ritmo não diminuiu; na verdade, aumentou e, ao fim do primeiro mes, o estrangeiro já havia construido um bom pedaço, grande o bastante para deixar em pé os cabelos de Odin.
- Loki, seu idiota! - disse ele chamando o responsavel pelo iminente desastre - Se a coisa for neste passo, antes mesmo de seis meses, ele terá concluido o maldito muro e perderemos Freya e as maçãs da juventude! Não lhe passou pela cabeça, cretino, que esse construtor pode ser um gigante disfarçado a tramar nossa detruição? - Indagou Odin a Loki, que coçava a cabeça, com um ar culpado.
Freya, por sua vez, observava noite e dia, com desolação, a movimentação do construtor e cada pedra que ele depositava a mais sobre o muro, era um golpe cavo que soava em seu peito. Seus olhos estavam sempre postos sobre as costas suadas do infatigavel construtor e de seu portentoso cavalo que arrastava no trenó, sem um minuto de descanso, os grandes pedregulhos.
O tempo passou e faltavam agora somente 5 dias para a chegada do verão e um pequeno trecho para que o muro fosse concluido.
Odin fez um sinal para que Heimdall fizesse soar a trompa, convocando os deuses para uma reunião de emergencia.
- E agora, seu tratante? - disse Odin, tão logo avistou Loki a entrar no salão - já que foi esperto o bastante para nos meter nessa enrascada, trate de arrumar um jeito de nos tirar dela, caso contrário, você irá para o sombrio Niflheim, onde sofrerá torturas tão crueis que nem mesmo sua filha Hel o reconhecerá!
- Verei o que posso fazer, poderoso Odin - disse Loki, o qual, se era imprevidente a ponto de se meter a todo o instante em enrascadas, não era menos hábil e em sefar dessas mesmas situações.
Loki internou-se em uma grande floresta, e, naquela mesma noite, enquanto o construtor trabalhava com a ajuda de seu cavalo, ele retornou de lá transformado numa belissima égua branca. Postando-se diante do cavalo do construtor, a égua começou a relinchar melodiaosamente ( tanto quanto um equino possa ter alguma melodia ), o que fez com que Svadilfair arrebentasse, afinal, os freios que o mantinham preso ao trenó e seguisse a égua floresta adentro.
- Ei, espere, aonde vai? - gritou o construtor espantado.
O cavalo, entretanto, lançara-se numa corrida tão desenfreada que, por mais que o dono tentasse alcançá-lo, não pode faze-lo. Depois de descançar um pouco e refletir, porém, o construtor farejou naquilo o dedo de Loki.
- É claro! - exclamou furioso - Tão certo quanto sou um gigante disfarçado de construtor, essa égua não passa do maldito Loki disfarçado!
O gigante, então, vendo que não conseguiria terminar o muro sem o auxilio de seu prodigioso cavalo, resolveu reassumir sua forma natural para tentar completar a tarefa.
Odin, contudo, que a tudo assistia de seu trono, exclamou tomado pela ira:
- Tal como eu imaginava: o tal construtor não passa, na verdade, de um maldito gigante!... Ótimo, pois com isso fico também desobrigado de meu juramento! - Odin suspendeu no ar a mão que alimentava seus dois lobos, Geri e Freki, e ordenou, imediatamente, que um servidor fosse chamar seu filho Thor.
- Thor, preciso que, mais uma vez, faça uso de seu martelo Miolnir para derrotar esse gigante impostor! - disse Odin depositando suas esperanças em seu valente filho.
Thor não esperou segunda ordem: empunhando o seu martelo e afivelado bem á cintura o seu cinto de força, foi até o gigante, que empilhava, freneticamente, imensos pedregulhos, no afã de terminar logo sua tarefa. O rio de suor, que lhe escorria dos membros, fizera com que a neve ao seu redor tivesse derretido toda.
- Ora vejam...! - disse Thor, ao se aproximar dele - O pequeno construtor, virou, então, de uma hora para outra, um gigante atarefado?
- Fique longe de mim! - disse o outro, carregando em desespero a ultima pedra que faltava para terminar o muro.
Porém, antes que tivesse tempo de colocá-la sobre o ultimo vão do muro, Thor arremeçou seu martelo com tal força e velocidade, que a cabeça do gigante se esmigalhou inteira.
- Ai está, patife, o seu pagamento! - disse o deus, recolhendo Miollnir. O gigante teve, logo em seguida, o restante de seu corpo jogado nos gelos eternos de Niflheim.
- E então, tudo correu bem? disse Odin ao filho, tendo ao lado Freya.
- Já deve estar construindo seus muros na terrível morada de Hel! - disse Thor enquanto retirava sua pesada luva de ferro.
Todos os deuses regozijaram-se com uma grande festa, aliviados que estavam pela derrota do gigante. Entretanto, em meio a ela, alguém perguntou:
- E Loki? Que fim levou o espertalhão?
De fato, Loki havia desaparecido de Asgard desde o momento em que entrara na floresta com o garanhão do gigante. Durante muito tempo, ninguém ouviu falar dele, até que em um belo dia, ressurgiu, trazendo um belissimo e prodigioso cavalo negro de oito patas.
- Ora, viva, finalmente reapareceu! - exclamou Odin, que, no entanto, parecia mais interessado no cavalo do que no deus desaparecido.
- Apresento a vocês Sleipnir, o cavalo mais veloz do mundo! - disse Loki, todo sorridente.
Loki, por mais incrivel que possa parecer, tornara-se pai de um cavalo; mas, para quem já havia sido anteriormente pai de um lobo e de uma serpente, não havia nisso nada de supreendente. Entretanto, percebendo que Odin apaixonara-se, perdidamente, pelo cavalo, tratou logo de lhe dar o animal de presente na esperança de fazer com que esquecesse, rapidamente, de suas trapalhadas.
E foi assim que Odin se tornou dono do cavalo mais veloz do universo.''
Esse texto foi extraido do livro: As melhores histórias da mitologia nordica ( A. S. Franchini / Carmen Seganfredo )
Ass: Leonnis.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário