sexta-feira, 28 de junho de 2013

( Conto) Connla and the Fairy Maiden


Connla e a Fada Donzela



Connla do Cabelo de Fogo era filho de Conn das Cem Batalhas. Certo dia, enquanto estava ao lado de seu pai nos picos de Usna, ele viu uma donzela vestida em um estranho traje vindo em sua direção.

- Donde vens, donzela? - Disse Connla

- Venho das planícies dos imortais – ela disse - onde não há morte nem pecado. Lá sempre é dia festivo e em nossa alegria não precisamos da ajuda de ninguém. Em nosso prazer não há nenhum conflito. E como temos nossas casas nas redondas colinas verdes, os homens nos chamam de “Povo da Colina”

O rei e todos os que estavam presentes ficaram maravilhados ao ouvirem uma voz aonde não podiam ver ninguém. 

- Com quem estas a falar, meu filho? - disse Conn o Rei. Então a donzela respondeu: 


-Connla fala com uma jovem e bela donzela, que nem a morte ou a velhice a aguarda. Eu amo Connla, e agora quero leva-lo comigo para a Planície do Prazer, “Moy Mell”, onde Boadag é rei pela eternidade, onde não há queixas nem sofrimento naquela terra desde que ele ocupou o trono. Oh, venha comigo, Connla do Cabelo de Fogo, de rosto corado como a aurora e de pele fulva. Uma coroa de fada o aguarda para adornar teu rosto formoso e sua forma real. Venha, e nunca tua graciosidade deverá desaparecer, nem tua juventude, até o pavoroso dia do juízo final.

O rei amedrontado com as palavras que a donzela disse, das quais ele podia ouvir mas podia ver, chamou em voz alta por seu Druida, de nome Coran.

-Oh, Coran dos muitos feitiços – ele disse – e da magia astuta, invoco tua ajuda. Sobre mim aparece uma tarefa demasiada grande para minhas habilidades e inteligencia, maior do que todas as que me foram impostas desde quando tomei posse do reinado. Uma donzela invisível está diante de nós, e com seu poder ela pode me tomar meu querido, meu gracioso filho. Se tu não o ajudar, ele vai ser tomado de teu rei por artimanhas e bruxaria de uma mulher

Então Coran, o Druida, se afastou um pouco e recitou seus encantamentos na direção onde a voz da donzela era escutada. E ninguém pôde ouvir sua voz novamente, nem pôde Connla vê-la mais uma vez. Porém, enquanto ela desaparecia antes do poderoso feitiço do Druida, ela jogou uma maça para Connla.

Durante um mês inteiro desde aquele dia, Connla não comeu nem bebeu nada, salvo aquela maçã. Pois toda a vez que ele comia uma parte daquela maçã, aquele pedaço voltava a crescer, dessa forma a maçã sempre ficava inteira. E por todo esse tempo cresceu com ele um poderoso anseio e saudade pela donzela que havia visto.


Mas quando o último dia do mês de espera chegou, Connla estava ao lado do rei, seu pai, na Planície de Arcomin, e outra vez avistou a donzela vindo em sua direção, e novamente ela falou com ele.

-Um lugar glorioso, em verdade, que Connla ocupa entre os efêmeros mortais que aguardam o dia da morte. Porém agora o povo da vida, aqueles que vivem para sempre, te implora e ordena que venha para Moy Mell, a Planície do Prazer, pois eles vêm aprendendo a te conhecer, te vendo em tua casa junto a teus entres queridos.

Quando Conn, o Rei, ouviu a voz da donzela ele chamou em voz alta seus homens e disse - Convoquem de pressa meu Druida Coran, pois eu vejo que hoje ela tem de novo o poder da fala. 

Então a donzela disse - Oh, poderoso Conn, lutador de cem batalhas, o poder do Druida é pouco apreciado; tem pouca honra na poderosa terra, povoada por muitos dos justos. Quando a lei chegar, abolirá as conjurações mágicas do druida, que vem dos lábios do falso demônio negro.

Então o Conn, o Rei, observou que desde que a donzela encontrou Connla, seu filho nunca respondeu à aqueles que lhe dirigiam a palavra. Logo, Conn das cem batalhas disse para ele – O que pensas do que disse essa mulher, meu filho?

- É muito difícil para mim – disse Connla – Eu amo meu povo acima de todas as coisas; mas ainda; mas ainda se apodera de mim um grande anseio pela donzela.

Quando a donzela ouviu isto, ela respondeu e disse – O oceano não é tão forte como as ondas de teu anseio. Venha comigo em minha curragh*, a reluzente, canoa de cristal que desliza em linha reta. Em breve poderemos chegar no reino de Boadag. Já vejo o brilhante sol afundar-se, porém mesmo ainda longe, podemos chegar antes do escurecer. Há lá, também, outra terra digna de tua jornada, uma terra alegre para todos que a buscam. Apenas esposas e donzelas habitam por lá. Se quiseres, podemos procura-la e viver juntos alegremente, somente nós dois. 

Quando a donzela cessou sua fala, Connla do cabelo de fogo correu para longe deles e saltou na curragh, a reluzente, canoa de cristal que desliza em linha reta. E então todos eles, o rei e a corte, viram ela deslizar para longe sobre o mar brilhante em direção ao sol ponente. Longe e mais longe, até que os olhos não pudessem mais ver-los, e Connla e a Fada seguiram o caminho pelo mar, e nunca mais foram vistos, e ninguém soube para onde foram.


Fim


 Conto tirado de "Celtic Fairy Tales", por Joseph Jacobs, 1892

 Depois de ler esse conto incrível, ouça essa música linda de Steve McDonald:




* "currach", "curagh" ou "curragh" é um nome irlandês para "corracle" - é um pequeno ou amplo barco arredondado feito de vime ou ripas entrelaçadas cobertas com uma camada impermeável de pele de animais, lona, pano asfaltado ou oleado, ou algo semelhante: usado no país de Gales, Irlanda, e partes do oeste da Inglaterra. 


Wilhelm  CR

Um comentário:

  1. Lenda interessante, me recordou avalon. Lembra também as lendas de ninfas gregas que perigosamente atraiam os homens, e também me recordou das lendas sobre as sereias.

    Outra fada interessante da cultura celta é a Banshee. Apesar de assustadora.

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